quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Pretérito imperfeito

Eu deveria ter dormido ao seu lado em todas aquelas vezes em que coloquei o colchão no chão.
Eu deveria ter te abraçado em todas aquelas vezes em que eu virei a cara, com raiva.
Eu deveria ter diminuído o tom de voz todas as vezes em que você pediu que eu não gritasse.
Deveria ter prestado atenção nos seus sinais de cansaço e aproveitado as chances que apareceram.
Eu deveria ter dito o que você significa pra mim.
Agora eu só devo ter medo de que você me esqueça, de que olhe pra frente e talvez veja que seu futuro é melhor sem mim.
Eu deveria ter feito mais para que nada disso precisasse acontecer. Agora ao invés de dormir acolhida do seu amor, a saudade me acompanha por onde quer que eu ande.
E a pior saudade é  a que você sente mas sabe que não pode ir atrás.
Tenho me segurado.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Milhões de vezes

A cama vazia no quarto, falta a toalha no banheiro, seu cheiro que se evaporou no vazio da casa que me deixa aflita por inteiro.
Achei que com o passar dos dias as coisas se tornariam mais fáceis, mas a cada amanhecer o medo aumenta, a saudade aperta e a esperança se propaga.
Não tenho a intenção de chorar, mas as lágrimas escorrem para esvaziar os pensamentos ruins, a insegurança me atormenta, como um castigo sem fim.
É difícil aguentar, mas preciso respeitar essa decisão.
A vontade não passa e o dia se arrasta me fazendo pensar se devo desistir ou não.
Só espero que um dia eu leia essas rimas e pense no alívio que foi quando tudo se ajeitou e eu voltei a sorrir.
Que eu aprenda com os erros e não os repita para que versos assim, não precisem surgir.
Só hoje já te quis milhões de vezes.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Enigma



Crises,
choro,
feridas,
superação,
cicatrizes.

Marcas,
lembranças,
risos,
felicidade.

Crises,
choro
feridas,
marcas que ficam,
dores que voltam à memória.

Palavras proibidas:
tudo o que eu queria dizer.
Crises,
choro,
feridas...

Haverá superação?



terça-feira, 1 de setembro de 2015

Corresponder




De que vale um abraço sem um aperto enlaçado?
De que vale um beijo sem o estalo esperado?
De que vale o carinho quando é dado sozinho?

De que vale a confiança se não há liberdade?
De que vale o que sentimos quando não há reciprocidade?

São perguntas que enchem o buraco das dúvidas
que fazem abrir cada vez  mais a ferida
de uma lesão que não cicatriza,
em um coração que é carente.

O que pesa na mente  é aquilo que vemos
e ainda não sabemos
se vai passar.

O que dói na alma
é saber que sentimos o que o outro não sente
E que não dá pra mudar sem ter que esperar.

Fico agora no aguardo da hora
dessa melhora que demora a chegar

São rimas confusas que de  algum um jeito difusa
conclusões errôneas que posso tirar.

E fica o apelo de uma mente sem medo
de tentar aprender:
Que o amor não se acaba, nem se compara
quando aprendemos a
corresponder.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Menino



Oi menino,
        Hoje eu resolvi te contar umas coisas, daquelas que a gente guarda no fundo do peito trancado a sete chaves.
       Hoje, menino, eu resolvi  falar que você não é mais o mesmo.Há tempos que não vejo aquele brilho em seus olhos quando o meu rosto estava refletido neles.
        O que aconteceu menino?
        Porque você resolveu mudar?
       O que aconteceu com tudo aquilo que viviamos prometendo um ao outro?
    O que aconteceu com tudo aquilo que acreditávamos e esperavamos de nós mesmos quando estávamos perdidamente encantados em nossa paixão?
       Não sei se te culpo, menino. Não sei se continuo aqui ao seu lado, vendo dia após dia todo aquele sentimento desvanecer bem diante de nossos olhos, sem que ninguém faça algo para salvar o que um dia foi o motivo de tantos risos.
    É menino, sei que não iria ser fácil, sei de todos os obstáculos que enfrentaríamos. Só não imaginava que nos desesperaríamos na primeira queda e que tudo então se abalasse, ficando cada dia mais frágil.
     É então que eu penso em ir e te deixar, porque o que eu não aguentaria, menino, seria ser o motivo de suas lágrimas, essas que eu tanto derramei quietinha nas madrugadas, mesmo depois de você me perguntar se estava tudo bem, aí eu confesso: não estava, não está.
      Me faltou coragem para te dizer o que tanto aperta o meu coração.Mesmo com todo o meu pranto, eu sempre tentei consertar qualquer coisa que se enfraquecia entre a gente. Mas eu sinto, menino, que todas as minhas tentativas foram falhas : dentre as (raras) vezes em que eu encontrava aquele brilho em seus olhos, quase no mesmo instante ele se apagava, me fazendo temer que nada mais daria certo.
      Daí então, menino, você pode estar se perguntando o que me fez ficar. E a resposta é tão simples quanto as palavras aqui escritas: você.
      Você, menino,  mesmo depois de mudar tanto, tem sido tudo aquilo que eu, nos meus mais profundo desejos, esperava escontrar.É o que me faz ter forças para tentar recompor tudo aquilo que foi tão bom pra gente.
        E eu, menino, do fundo do meu coração, espero que você um dia volte a ser aquele menino que fez com que a menina que jurou a si mesma nunca mais amar, se apaixonasse da forma mais pura e doce que um ser humano pode amar o outro. 
       Enquanto isso, menino, eu fico aqui, jogando essas palavras ao vento, torcendo para que a brisa as sopre em seu ouvido, lhe fazendo perceber que eu estou e quero ficar ao seu lado até que, juntos, possamos descobrir o sempre.

 Com todo o meu nosso amor.
   


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Desafogo

Hoje é um daqueles dias difíceis. Na verdade, já venho os enfrentado há algum tempo.Também é um daqueles dias em que eu não sei exatamente sobre o que quero escrever, mas eu sinto ânsia de descarregar o que me faz querer lamentar.
Não sei se começo por rimas, ou se simplesmente deixo as palavras saírem soltas, sem sentido, na esperança de que assim eu possa colocar os meus sentimentos em ordem.
Não queria ter vontade de usar meus textos como válvula de escape, para que eu não me afogue nas minhas próprias angústias.Queria, na verdade, me sentir menos sozinha, não precisar confiar a um pedaço de papel todas as minhas inquietudes e tormentos. Contudo, é aqui que eu consigo pelo menos, me sentir menos desprotegida.
Confesso que é desagradável só conseguir falar sobre infortúnios: como agora, que até as palavras me fogem para descrever o que me flagela. Raras são as vezes em que me sinto inspirada para falar de contentamentos.
É por meio de pequenos textos assim, cheio de amarguras e ressentimentos, que eu me sinto menos fraca, menos vítima, diria até menos culpada.
Eu aprendi, por meio de um caminho escarpado, a não mudar o meu jeito para que as pessoas ao meu redor se sintam bem.Apesar disso, continuo tentando me adaptar ao meio em que estou inserida e as pessoas que me cercam.Parece que mesmo atravessando todos os obstáculos de uma longa e desgastante história, eu não consigo entender e nem respeitar a mim mesma.Todos os meus medos que eu jurava vencidos retornam e me acertam com mais força, o que me faz pensar que em algumas situações a tendência das coisas é piorar.
E assim, mediante à essas palavras, a esse texto sem parágrafos, que eu termino a primeira postagem do ano, que infelizmente não foi uma daquelas em que a felicidade era tanta que eu precisava gritar para o mundo, mas sim, uma daquelas que vocês já estão acostumados: em que eu exponho, sem medo, as minhas mais profundas preocupações, tentando de alguma maneira colocá-las em desafogo.